Por: Viaje Mais/Mario FittipaldiMuito mais do que pelo mar que exibe matizes de turquesa ao azul profundo e das quase infinitas praias de areia fina e branquíssima, as Ilhas Virgens Britânicas, no mar do Caribe, a leste de Porto Rico, são famosas pela inegável vocação marítima. É um dos melhores locais para velejar e um dos dez melhores pontos de mergulho do mundo. Seus naufrágios – são mais de 400 registrados, a maioria em águas rasas – atraem mergulhadores de várias partes do mundo. Há até um evento especial dedicado a eles, a Wreck Week, ou semana do naufrágio, motivo, aliás, que me levou até lá e que, provavelmente, vai levar você também.
É verdade que as Ilhas Virgens Britânicas, ou simplesmente BVIs (pelas iniciais em inglês), não são um destino habitual para os brasileiros – a dificuldade de acesso e a exigência de visto norte-americano para a escala obrigatória em Miami ou San Juan, em Porto Rico, são um bom motivo para que outros destinos no Caribe sejam mais populares. No entanto, se você gosta de mergulhar e busca por algo diferente, cercado por lendas e mistérios e temperado por uma boa dose de aventura, pode acreditar: fará uma viagem única.
A aventura começa antes mesmo de se chegar à Road Town, a capital, na ilha de Tortola, assim batizada pela imensa revoada de rolinhas (tórtola, em espa-nhol) que vivia lá. A partir de San Juan, a capital de Porto Rico, a cidade é servida por voos da American Airlines, por meio da sua subsidiária American Eagle, e pela Cape Air, uma pequena companhia que voa para vários destinos no Caribe.
Uma das melhores coisas que você pode fazer nas BVIs é o scuba diving, o mergulho com cilindro. As águas límpidas e quentes oferecem grande visibilidade, que pode chegar até a 30 metros, e a abundância de vida marinha e corais tornam a paisagem submarina extremamente bela. Mais: as empresas que operam o serviço são competentes, bem equipadas e muito profissionais.
Há opções de mergulhos para todos os tipos de turistas submarinos, novatos ou experientes. Até para quem nunca mergulhou, pois é possível optar em fazer o curso básico em três dias. Ou então, participar do programa Discovery, oferecido por vários operadores. Após uma aula teórica, o explorador submarino é conduzido por um dos instrutores, que não o larga por um segundo sequer.
Foi lá que um certo Edward Thatch, capitão do galeão Queen Anne's Revenge, se refugiou entre os anos de 1715 e 1718. Diz a lenda que Thatch foi vítima de um motim, mas conseguiu dominar a rebelião. Como vingança, fez caminhar os rebeldes na prancha ao largo da Ilha Dead Chest, ameaçando passar no fio da sua espada os que hesitassem, enquanto cantava, ironicamente, “Yo,ho, ho, e uma garrafa de rum”. Não havia capitão de navio que singrasse as águas caribenhas àquela época que não tremesse à simples menção de sua alcunha: Barba Negra.
Rota de galeõesAlém do notório malvado, muitos outros piratas e corsários famosos agiam na região, rota obrigatória dos galeões repletos de prata e ouro que seguiam para a Europa. É bem provável, inclusive, que as histórias de um tio marinheiro de Robert Louis Stevenson, que esteve na ilha Norman, tenham inspirado o célebre autor inglês a escrever as aventuras de Jim Hawkins no clássico da literatura A Ilha do Tesouro, em 1883.
Não há mais piratas por lá, mas sua memória continua preservada. Seja nas bandeiras pretas com a caveira sobre os ossos cruzados hasteadas nos mastros dos veleiros, ou no rum, usado como base para coquetéis como a piña colada, que lá leva também suco de laranja além dos tradicionais abacaxi e coco, e o bushwacker, misturado a licores. Mas, principalmente, está na imaginação de quem se aventura pelas ilhas que outrora ofereceram refúgio e abrigo aos mais famosos flibusteiros da história e que hoje levam seus nomes – Thatch, Norman, Morgan, Jost van Dyke... O maior deles, Sir Francis Drake, dá nome ao canal que “corta” o arquipélago ao meio.
Onde comerMyett’s Garden and Grille – A atração é a lagosta caribenha, gigante, que sai por US$ 28. Camarão grelhado também é boa pedida (US$ 28). Fica em Cane Garden Bay, Tortola – myettent.com.
Peg Legs Landing – A especialidade é a lagosta e os peixes, mas tem cardápio variado. Serve pizzas à noite. Refeições variam de US$ 15 a US$ 30. Fica Nanny Cay, Tortola.
Semana do naufrágioOs naufrágios são mesmo a maior atração. Como estão em águas rasas, são acessíveis até por quem tem apenas o curso básico, desde que acompanhados por um dive master – um mergulhador experiente que lidera um grupo de mergulhadores. Exatamente por isso, existe uma semana inteirinha dedicada a eles – em 2010 será de 12 a 19 de junho, quando os operadores oferecem pacotes com várias saídas e preços especiais e há festas e luaus nas praias.
O mais famoso naufrágio das BVIs é, sem dúvida, o RMS Rhone, um grande navio a vapor de 94 metros de comprimento que transportava passageiros, cargas e também fazia o serviço postal entre a Inglaterra, a América do Sul (sim, havia escalas no Brasil) e o Caribe.
RMS, aliás, significa Royal Mail Stea-mer, ou vapor postal real. Naufragou durante uma tempestade em 1867, próximo da Salt Island (Ilha do Sal) quando sua imensa caldeira explodiu e o separou em duas partes – normalmente exploradas em dois mergulhos distintos, um na proa, praticamente intacta, e outro nos destroços da popa, em profundidades que variam de 8 a 27 metros.
Mergulhar no Rhone era a minha maior expectativa. Após quase 150 anos submerso, o imenso casco e o mastro principal continuam em boas condições. Mergulhadores experientes e habilitados podem, inclusive, entrar. Não é o meu caso, pois tenho apenas a certificação básica. Assim, fiz o chamado turismo, flutuando em volta da gigante estrutura de ferro que jaz no fundo do oceano, já totalmente tomada por corais e transformada em moradia por diversos inquilinos marinhos – como peixes típicos de corais, barracudas, tartarugas marinhas e lagostas, entre outros. É emocionante.
À primeira vista, os corais presos à estrutura se mostram em tons de azul. É que, à medida que a profundidade aumenta, as cores quentes vão sendo filtradas camada de água e ficam invisíveis ao olho humano. Uma lanterna, no entanto, é o suficiente para devolver os amarelos, laranja e vermelhos perdidos, revelando, como um pincel nas mãos de um mestre impressionista, uma bela, colorida e intrincada estrutura de corais e esponjas.
Escolha a sua ilhaEmbora o arquipélago seja composto por mais de 60 ilhas, a maioria não é habitada, sendo acessível apenas por barco. Há três ilhas principais, com várias opções de hospedagem, passeios e, claro, praias paradisíacas. Além de Tortola, vale a pena também conhecer a sofisticada Virgem Gorda, a pequena e incrível Jost van Dyke, ideal para passeios de um dia. Mais afastada, ao norte, há também a ilha Anegada, famosa pelas enormes lagostas.
Tortola abriga a capital, Road Town, e o aeroporto. É a sua porta de entrada nas BVIs. Ao longo da ilha existem muitos hotéis-marina, perfeitos para hospedagem, e de onde toda a vida começa, pois é a partir deles que você pode fretar veleiros com ou sem tripulação e contratar saídas de mergulhos. Também em Road Town você encontra um pequeno centro comercial, bons restaurantes, pubs e alguma agitação. Há muitas opções de praias também, mas uma obrigatória é a belíssima Smuggler’s Cove, onde você pode nadar em piscinas naturais excelentes para o snorkelling na companhia de pelicanos que aparecem para pescar.
Outra parada obrigatória é a ilha de Virgem Gorda, acessível a partir do centro de Road Town por um serviço de ferry-boats – a única linha regular de transporte marítimo nas BVIs. A ilha, extremamente bela, possui praias excelentes para o snorkelling e ainda o complexo Baths National Park, que você não pode perder por nada. A entrada custa US$ 3, e após uma pequena trilha de pouco mais de 300 metros você chega à primeira praia, onde palmeiras parecem brotar de grandes blocos de granito. A segunda praia, Devil’s Bay, é acessada por um labirinto de grutas e alagados rasos, em meio a grandes blocos de granito. A trilha não é difícil, mas deve ser evitada por pessoas com pouca mobilidade.
A pérola da visita é, sem dúvida, a pequena e charmosa Jost Van Dyke. Com pouco mais de 200 habitantes permanentes, uma escola para apenas 35 alunos, as praias são a principal atração. À sua volta ficam as dezenas de bares e restaurantes, frequentados principalmente por quem a acessa de barco em passeios de um dia.
As águas protegidas do canal Sir Francis Drake tornam a navegação extremamente prazerosa, especialmente para os veleiros. Hasteie sua bandeira pirata: com um cardápio de mais de 60 ilhas à dispo-sição, as Ilhas Virgens Britânicas merecem ser invadidas. E explorá-las pode ser uma emocionante caça ao tesouro, premiada, quase sempre, com paisagens estonteantes e praias quase desertas e maravilhosas.
Quando IrFaz calor o ano todo na região caribenha das Ilhas Virgens. A média de temperatura anual é de 25º C. As chuvas são costumeiras, mas rápidas, nada que chegue a comprometer a viagem. A estação dos furacões vai de julho a novembro. A alta temporada começa logo depois e estende-se até abril. Se estiver pensando em viajar nesse período, antecipe a compra do pacote ou faça reservas com a máxima antecedência possível. Entre abril e julho é uma boa época de viajar, pois há bem menos turistas e os preços dos hotéis caem entre 25% e 50%.
Fonte:
http://viagem.br.msn.com/destinos-artig ... d=24374173